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Texto: Marcos Adami | Publicado com a autorização da revista Bike Action

Levar a bicicleta na viagem exige alguns cuidados para evitar dores de cabeça. Cicloturistas ou competidores que estão sempre em trânsito para disputa de provas devem aprender os macetes de transportar a bike com segurança e com a mínima margem de danificar o equipamento durante o transporte, seja ele de ônibus, avião ou até mesmo no carro.

Em companhias aéreas é obrigatório que a bicicleta esteja muito bem embalada, seja em uma caixa de papelão ou em uma bolsa do tipo mala-bike. Para transportar a bicicleta em ônibus, o procedimento é o mesmo. Algumas empresas podem até abrir uma exceção e transportar a bicicleta avulsa, mas é bom não contar com a sorte e seguir as regras.

PREPARAÇÃO – Por Roberto Nogueira

Antes de tudo, prepare a bike para viajar. Coloque os câmbios para descansar na coroa menor com a catraca menor.

Retire o ciclocomputador e outros acessórios que possam sofrer danos na embalagem durante o transporte. Com a chave de pedal ou a chave Allen nº 6, retire os pedais (opcional). Retire o canote com a chave Allen nº 4, tomando o cuidado de marcar com um lápis a altura de seu selim.

Dica: para quem viaja muito é aconselhável o uso de blocagem do tipo quick-release para facilitar essa operação.

No caso de bikes equipadas com freios v-brake, solte os freios para poder retirar as rodas. Se usar disco, retire as rodas e coloque um calço (pode ser um pedaço de papelão) entre as pastilhas de freio para evitar elas saiam da pinça.

Solte as blocagens e retire as rodas. Blocagens são engates rápidos (também chamados de quick-releases) que dispensam o uso de ferramentas para retirar as rodas. Quem não tem, vale a pena investir. Há modelos baratos a partir de R$ 10. Retire as rodas e recoloque as blocagens no eixo para evitar a perda.

Em alguns casos (bikes com quadros grandes) será necessária a retirada do guidão. Nesse caso, solte o parafuso na tampa do head set, retire o guidão e recoloque a tampa e os parafusos no lugar.

PROTEÇÃO E CUIDADOS

Para uma proteção extra, retire o câmbio traseiro com uma chave Allen nº 5. Esse procedimento é importante para evitar a quebra do componente, especialmente na mala-bike de nylon quando transportada em aviões. Prenda o câmbio no quadro com uma abraçadeira de velcro, que pode ser comprada em lojas de armarinhos e custam pouco. Tenha sempre a mão umas três tiras de velcro de uns 20 cm cada. Outra opção é usar fitas zip tie ou fita adesiva.

Outra medida importante é colocar um eixo no espaço entre as gancheiras traseiras para evitar que a traseira do quadro amasse caso sua bike seja vítima de maus-tratos, que não são raros nos aeroportos e rodoviárias mundo afora.

Outra dica é proteger o quadro com uma toalha ou plástico bolha.

O cassete da roda traseira pode ser embrulhado com um saco plástico resistente para evitar que danifique a mala. A maioria das malas-bikes possui compartimentos separados para as rodas nas laterais. Acomode-as e só depois coloque o quadro na bolsa, girando o guidão para um dos lados. Prenda-o com uma abraçadeira de velcro ao quadro.

Alguns acessórios e vestuários como as sapatilhas, pedais caramanholas etc podem ser colocados no interior da mala-bike. Feche o zíper com cuidado.

Identifique sempre a mala-bike (ou a caixa de papelão) com uma etiqueta com seus dados completos (nome, endereço e telefones), pois será fundamental em caso de extravio.

IMPORTANTE: Nas viagens aéreas é necessário que os pneus sejam esvaziados para evitar que explodam pela diferença de pressão. As companhias exigem também que os pedais sejam retirados e o guidão esteja virado a 90º.

TIPOS DE TRANSPORTE

Caixa de papelão – A maneira mais barata de se transportar a bicicleta

PRÓS

  • Em alguns casos não é necessário retirar a roda traseira
  • Custo zero

CONTRAS

  • Difícil de manusear e transportar
  • Deterioração da embalagem
  • Pouca durabilidade

Mala-Bike – Praticidade e leveza

PRÓS

  • Fácil transporte. É possível carregá-la nos ombros
  • Pode ser dobrada e guardada quando não em uso
  • Preço atraente
  • Baixo peso

CONTRAS

  • Não absorvem impactos e pode causar danos no quadro e peças
  • A bike tem que ser parcialmente desmontada em alguns casos

Mala Bike Case – Segurança e integridade

PRÓS

  • Quando dotada de rodinhas, facilita o transporte
  • Absorve impactos
  • Acomoda melhor os componentes

CONTRAS

  • Preço
  • Peso

NA RODOVIÁRIA

O Brasil é coberto por 2.700 rotas de serviços de ônibus, de quase 200 empresas, que servem a grande maioria dos municípios do território brasileiro.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) é o órgão responsável pelos serviços de ônibus e a lei garante ao passageiro a franquia de até 30 kg no bagageiro do ônibus e o volume não deve ultrapassar 300 decímetros cúbicos (0,3 metros cúbicos) e a maior dimensão permitida ao volume é de 1 metro. Considere que a mala-bike, mais a bike e outros acessórios podem chegar fácil aos 15 kg. No interior do ônibus, a bagagem de mão deve pesar no máximo 5 kg e caber no porta-pacotes do teto.

Mas é bom estar ciente de que uma mala-bike da Curtlo, por exemplo, mede 115x75x30 cm (0,25 metros cúbicos) e excede a medida máxima permitida em 15 cm. Caso o funcionário impeça o embarque vale a pena explicar que uma mala-bike não extrapola a cubagem máxima, por ser estreita.

Na hora de embarcar com a bicicleta numa viagem rodoviária, confira algumas dicas:

  • Exija sempre o tíquete das bagagens. Em caso de extravio ou dano, a lei garante indenização;
  • Para facilitar o transporte da mala-bike ou da caixa de papelão, use um carrinho porta-bagagem. São muito práticos, têm alça retrátil e são leves. Custam cerca de R$ 30 e podem ser encontrados em lojas que vendem malas e artigos para viagem;
  • Seja um dos primeiros a chegar na plataforma de embarque, especialmente nas grandes cidades e em dias de muito movimento. Essa dica é fundamental para que você consiga ser um dos primeiros a colocar sua bike no bagageiro. Procure colocar sua bike na posição vertical, apoiada na parede do bagageiro do ônibus. Então, peça com gentileza ao funcionário da empresa que calce sua bike com a bagagem dos demais passageiros. Outra idéia é você pedir licença e entrar no bagageiro e acomodar sua mala. Vale a pena ter em mãos aqueles elásticos usados por motoqueiros e prender a bagagem em algum lugar do bagageiro;
  • Na grande maioria das empresas, o despacho da bicicleta só será feito se ela estiver corretamente embalada (numa caixa ou mala-bike), afinal, elas são responsáveis pela integridade de sua bagagem;
  • Lembre-se sempre que sorrisos abrem portas. Gentileza e boa educação muitas vezes são suficientes para que o funcionário da empresa permita que sua bike seja transportada inteirinha, sem nem mesmo retirar as rodas. Nesse caso é fundamental que você mesmo entre no bagageiro do ônibus e prenda a bike com os elásticos. Outra maneira é retirar as rodas, baixar o selim e prender tudo bonitinho com os elásticos;
  • Se você é atleta federado, tenha sempre a mão a carteirinha para provar que participa de competições e ganhar a confiança e a simpatia dos funcionários.

Principais empresas de ônibus

No site da maioria das grandes empresas de ônibus que operam linhas interestaduais e internacionais é possível consultar rotas e horários, fazer reservas e comprar a passagem online ou por telefone.

Itapemirim – www.itapemirim.com.br – 0800-723-2121

Gontijo – www.gontijo.com.br – 0800-311-312

São Geraldo – www.saogeraldo.com.br – 0800-311-312

Cometa – www.viacaocometa.com.br – 0800-770-0033

Catarinense – www.catarinense.net – 0800-470-470

Reunidas – www.reunidas.com.br – 0800-49-6161

Penha – http://nspenha.locaweb.com.br – 0800-646-2122

Viação 1001 – www.autoviacao1001.com.br – (21 ou 11) 4004-5001

Viação Garcia – www.viacaogarcia.com.br – (43) 3373-2000

TRANSPORTE AÉREO

Até o início de 2007 as bicicletas eram bem-vindas nas companhias aéreas do mundo todo e eram transportadas gratuitamente dentro dos limites da franquia de bagagem a que cada passageiro tem direito. Mas isso mudou e a maioria das empresas cobram a parte pelo transporte da bicicleta.

Por isso, antes de comprar o bilhete aéreo verifique cuidadosamente se a companhia cobra separadamente pelo transporte da bike, isso pode fazer uma enorme diferença no preço final da tarifa, pois há companhias que chegam a cobrar 150 Euros (cerca de R$ 450) pelo transporte da bike em vôos intercontinentais, como é o caso da Air France, KLM e a Lufthansa.

O transporte de bagagem aérea nacional é regulado pela portaria 676 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Bicicletas e outros artigos esportivos, como pranchas de surfe e de esqui, são considerados bagagens especiais e algumas companhias aéreas cobram pelo transporte no já momento do embarque com a desculpa de que são “itens de difícil acomodação”.

Mas há empresas que operam vôos domésticos, como a TAM e a Ocean Air e outras internacionais como a chilena LAN e as Aerolineas Argentinas, que transportam bicicletas sem cobrar. Prefira e valorize aquelas que oferecem as melhores condições para o transporte de sua magrela. (Confira no quadro abaixo).

Nos vôos domésticos a franquia é de dois volumes com um peso máximo de 23 kg para a bagagem a ser despachada, mais um volume de 5 kg para a bagagem de mão, desde que não exceda as medidas 55x40x20cm. Em caso de excesso de bagagem será cobrado 0,5 da tarifa Y (preço cheio) do trecho viajado por quilo excedente. Itens que pesem acima dos 70 kg serão despachados como carga aérea e seguem outra legislação.

Vôos com origem no Brasil para o Canadá, EUA, Europa e África do Sul a franquia é de duas bagagens com o máximo de 32 quilos por volume. Já os vôos com origem na Europa a franquia é de dois volumes de no máximo 23 quilos cada.

ATENÇÃO: De acordo com a regulamentação da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo) é proibido o transporte de gases comprimidos e sólidos inflamáveis como bagagem de mão, ou seja, cilindros de CO2 e colas para remendos de pneus devem ser despachados na bagagem.

EXTRAVIOS

Extravios de bagagem em vôos são relativamente comuns no mundo todo, principalmente nos casos de conexão com troca de aeronaves. Nesses casos, o passageiro deve procurar a empresa aérea ainda na sala de desembarque e preencher o formulário Registro de Irregularidade de Bagagem – RIB.

É necessária a apresentação do tíquete da bagagem, pois ele é a prova do contrato de transporte de bagagem. No caso de danos, o passageiro deverá procurar imediatamente a empresa aérea e relatar o fato. Reclamações posteriores não serão aceitas. Caso a empresa se recuse a preencher o RIB, o passageiro deverá reclamar oficialmente junto à ANAC.

Quando localizada, a empresa tem a obrigação de devolver a bagagem ao passageiro em seu local de origem u de destino, de acordo com o endereço fornecido. O passageiro deve ser indenizado caso a bagagem não seja localizada em até 30 dias.

A POLÍTICA DAS COMPANHIAS

TAM – www.tam.com.br – Não cobra taxa adicional

Ocean Air – www.oceanair.com.br – Não cobra taxa adicional

LAN – www.lan.com – Não cobra taxa adicional

Aerolineas Argentinas – www.aerolineas.com.ar – Não cobra taxa adicional

TAP – www.flytap.com – Gratuita nos vôos com origem no Brasil. Cobra 100 Euros em outras rotas intercontinentais e 50 Euros dentro da Europa

Varig – www.varig.com.br – Cobra R$ 100 por unidade

Gol – www.voegol.com.br – Cobra R$ 100 por unidade

Azul – www.voeazul.com.br – Cobra R$ 100 por unidade

Trip – www.voetrip.com.br – Cobra como excesso de bagagem

American Airlines – www.aa.com – Cobra US$ 100 dos vôos do Brasil para os EUA. Gratuito nos vôos dentro dos EUA e Canadá.

Para saber mais: www.antt.gov.br | www.anac.gov.br | www.iata.org.br