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Dani Prandi / Bikemagazine
Foto de divulgação

Lance Armstrong confessou ter usado doping até 2005

Lance Armstrong estava visivelmente nervoso em seu encontro com Oprah Winfrey em Austin, no Texas. A entrevista, exibida mundo afora na madrugada desta sexta-feira (18 de janeiro) era ansiosamente esperada. Logo de cara, a apresentadora mais renomada na TV norte-americana pediu ao ciclista que respondesse “sim” ou “não” às perguntas iniciais.

“Você fez uso de doping”?, “Você usou EPO?”, “Você fez transfusões de sangue?” – uma após outra, as respostas foram “sim”, “sim”, “sim”.

Grisalho e abatido, o ciclista que se tornou ícone do esporte, desabafou: “É tarde demais, é tudo minha culpa”. Armstrong disse que, em sua geração, “não seria possível vencer sem doping”.

“Eu sei a verdade, e a verdade não é o que disse”, continuou. Após anos e anos de negação, o ciclista justificou-se: “Não tinha medo de ser pego”.

Sobre o relatório da Agência Antidoping dos EUA (Usada, na sigla em inglês) que aponta o esquema de doping em que estava envolvido como o “mais sofisticado da história do esporte”, ele rebateu. “O esquema era profissional, seguro, mas não era maior do que o que foi feito na Alemanha Oriental nos anos 80.”

Segunda parte da entrevista de Lance Armstrong para Oprah será exibida nesta sexta-feira

Oprah Winfrey foi contundente em seus questionamentos e, para reforçar, colocou vídeos em que Lance aparece negando o doping, em 2005, e outros, como o seu discurso na vitória do Tour de France em 2005. Em certos momentos, o olhar de Armstrong mostrava que ele estava buscando respostas. Mas resumia: “Os erros são meus”.

O ciclista afirmou que usou doping até 2005 e que, nas edições de 2009 e 2010 do Tour de France, estava “limpo”. Negou ter pressionado os colegas da US Postal a entrarem no esquema, desviou do assunto sobre seus “tratamentos” com o médico Dr. Ferrari e desconversou ao ser questionado sobre uma doação que fez para a UCI. Evitou comentar sobre outros envolvidos, disse que não leu o livro de Tyler Hamilton e que George Hincapie e ele ainda são amigos.

“Pela segunda vez na minha vida eu não posso controlar o que vai acontecer”, disse. Oprah o questionou se, na primeira vez, havia sido o câncer. Ele concordou.

“Eu vejo raiva, sei que algumas pessoas se foram para sempre e que há outras em que terei de pedir perdão pelo resto de minha vida”, continuou.

A entrevista foi dividida em duas partes. O segundo round será exibido nesta sexta-feira. No Brasil, o programa vai ao ar no canal pago Discovery.