Foto de divulgação Fabio Piva
A dupla Henrique Avancini e Sherman Trezza (Caloi) venceu nesta quinta-feira (24 de outubro) a quinta etapa da ultramaratona Brasil Ride, que está sendo disputada na região da Chapada Diamantina, na Bahia. Com a vitória, passaram a liderar a ultramaratona. Em sua página no Facebook, Avancini postou o seguinte depoimento:

Na imagem, Avancini na terceira etapa da prova na Chapada Diamantina
“Hoje vencemos a quinta etapa do Brasil Ride de 93km, e assumimos a camisa amarela de líder da geral. Logo no começo os atuais líderes, Hans Becking e Jiri Novak, tiveram problemas físicos e acabaram reduzindo o ritmo e não conseguiram concluir a etapa. Então Sauser e Yamamoto começaram a controlar o ritmo da prova, quando entramos em um longo trecho de trilhas que começava com 16km. Por volta do km 20 eu e o Sherman ainda estávamos mais atrás no pelotão, então começamos a nos sentir melhor e fomos indo pra frente do pelotão pouco a pouco. Por volta do km20 o pelotão se quebrou com Sauser e Yamamoto na ponta e nós conseguimos acompanhar. O ritmo estava bom e neste ponto da prova estávamos confortáveis…
Era tudo que a gente queria, mas então o Sauser furou o pneu dianteiro. Neste momento ficamos sozinhos e ainda faltavam mais de 70km para o final da etapa. Foi engraçado, porque até aqui sempre que um de nós perguntava ao outro se dava pra forçar mais ou acompanhar uma fuga o outro falava que não, ou que não achava que valia a pena. Mas hoje um perguntou: “E aí? E agora? Pau? E o outro respondeu: Pau!”
Um longo trecho de muita dificuldade técnica seguia até o km 37, onde era o primeiro ponto de apoio. Nesta parte do percurso eu ditei o ritmo e pilotamos no limite para ganhar tempo. Após o km 37 o percurso seguia em estradas, muito veloz com um sobe e desce duro, porém rolado. Nesta parte revezamos muito bem e conseguimos manter um ritmo muito equilibrado. Por volta do km 50, antes da subida antes dura do dia, eu furei o pneu traseiro. Estamos usando pneus Continental Race King Protection, que têm uma carcaça muito resistente, então o furo era pequeno e perdia ar aos poucos. Esperei começar a bater o aro e parei para encher com um cilindro de CO2.
Mais à frente parei novamente então conseguimos chegar no segundo apoio no km 62, onde havia o apoio neutro da Shimano. Pedi para colocarem 35 psi no pneu e saímos. Depois desse apoio pegamos um trecho muito plano e com muito vento. No começo revezamos bastante, mas depois o Sherman começou a levar tudo sozinho para tentar me poupar um pouco para quando o pneu ficasse muito baixo. Nesta parte da prova sofremos muito. Somos leves e encarar um trecho plano sozinho foi difícil, mas o Sherman segurou as pontas e manteve um ritmo muito forte praticamente sozinho.
Faltando 3km para o último apoio, no km 82, meu pneu esvaziou muito. Tentei levar até o ponto de apoio, mas este era só alimentar. Ainda faltavam 11km para o final, sendo 8km na subida da Serra das Almas. Quando paramos no apoio para encher as garrafas perguntei ao Sherman: “Coloco uma câmera ou uso nosso último cilindro de CO2 e arriscamos chegar ou não?” Ele falou: “Coloca o gás!” Então fomos para a serra. Tentei começar muito forte para aproveitar enquanto o pneu ainda estava cheio e fui até o pneu começar a ficar mais macio, então parei e coloquei mais o restinho do cilindro de CO2.
Subimos bem a serra e eu fiz muita força quando o pneu foi abaixando. Tentei colocar o máximo de peso no eixo dianteiro, mas subindo ficava difícil. O Sherman começou a sentir o baita esforço que tinha feito pra me carregar no plano e eu vinha com as pernas explodindo.
Quando a serra acabou, o alívio foi muito grande. Quando entramos na cidade em um pavimento de pedras o pneu esvaziou com os impactos e cruzei a linha na risca. Com a vitória, assumimos a liderança geral da prova e amanhã vamos largar com a camisa amarela. É a primeira vez nas quatro edições que uma dupla brasileira assume a amarela.
Estamos fazendo uma boa prova, respeitando nossos limites, e curtindo cada dia. Fiquei realmente feliz com a vitória hoje, pois geralmente quando você vence uma prova, o sentimento é só seu. Mas hoje cruzar a linha de chegada de mãos dadas com o Sherman foi realmente especial, pois esta vitória conquistei e dividi com um grande amigo.”



