
Geraint Thomas checa amortecedor da nova bike da equipe Sky
Marcos Adami / Do Bikemagazine
Fotos de divulgação e de arquivo
O mundo anda para frente e a tecnologia de ponta faz toda a engrenagem do mercado andar. O que há de melhor chega primeiro no mundo das competições e isso vale para carro, moto, tudo. No mundo do ciclismo não é diferente. Corridas como a Paris-Roubaix são vitrines imensas e o marketing perfeito para uma centena de marcas e produtos.
Chegar em primeiro no antigo velódromo de Roubaix signfica coroar com louros desde a garrafinha de água até o óculos do ciclista. Todos capitalizam a sofrida vitória. O campeão ganha uma grana e divide com toda a equipe.

Campeões de Roubaix ficam eternizados nos chuveiros dos vencedores Foto: Marcos Adami
Neste domingo, o pelotão encara longos 253km com 27 trechos com paralelepípedos – os pavés – alguns muitos ruins, com desníveis que acumulam água e lama. Terminar qualquer prova na fria e chuvosa primavera belga já é um bom resultado. Na Paris-Roubaix do ano passado largaram 199, chegaram 144. Tem equipe que se desmantela toda. Quem vence a Paris-Roubaix ganha uma placa de bronze nos banheiros do velódromo e não há espaço para qualquer outra marca que não seja o nome do ciclista.

Detalhe do sistema amortecedor da cobble bike
Este ano, a grande novidade tecnológica veio dos italianos da Pinarello, que apresentaram com estardalhaço o modelo Dogma K8-S, desenvolvido em parceria com a Jaguar. A notícia escapou do metiê do ciclismo e saiu no mundo todo, foi destaque até na BBC. Para enfrentar os pavés, a nova bike traz um pequeno amortecedor na traseira com curso de 1cm. O quadro de 900 gramas é de carbono e o pequeno amortecedor de elastômero pesa só 95 gramas.
A ideia do amortecedor traseiro é antiga e patenteada em 1892 pelo francês Felix Clement.
Por mais tecnológicas que sejam, bikes não andam sozinhas. A equipe britânica Sky estreou a K8-S na semana passada na Monumental “Tour de Flanders” e não foi nada bem. O melhor colocado foi Geraint Thomas na modesta 14ª colocação, a 49 segundos. O vencedor Alexander Kristoff ganhou com uma bike alemã, sem amortecedor.
Força, mas também inteligência e visão estratégica são fundamentais para qualquer vitória. Em 2012, a seleção britânica (com muitos ciclistas do time Sky) fez feio nos Jogos Olímpicos de Londres e nem Sir Bradley Wiggins, Cavendish e Froome salvaram a Terra da Rainha do vexame de perder feio correndo “em casa”. (Veja o vídeo).

Novidade da Pinarello pode começar nova era de bikes
Uma vitória na Paris-Roubaix vai alavancar as vendas da K8-S e estrear uma nova era de bikes de estrada com amortecedor traseiro e podemos esperar ainda esse ano um contra-ataque de outras marcas, inclusive do lado de cá do Atlântico. Se o pódio em Roubaix não vier, o marketing está feito e ainda restam outras clássicas para capitalizar em cima do amortecedor.
Mas, seja lá quem vença, marca nenhuma não pode nunca ofuscar o nome do atleta que triunfar e que vai ganhar para sempre um lugar de honra nos sagrados e velhos banheiros de Roubaix.
VÍDEO
[youtube url=”https://www.youtube.com/watch?v=PIt9WsYqy7U#t=28″ width=”560″ height=”315″]




