Dani Prandi / Do Bikemagazine
Fotos de divulgação
Magno do Prado Nazaret é especialista em provas de contrarrelógio e foi na corrida contra o tempo da sexta das dez etapas da Volta do Uruguai que o ciclista da equipe Funvic marcou seu caminho rumo ao segundo título de campeão, no domingo (16 de abril), após a conquista de 2012.
Mas o percurso foi dolorido. “Depois de uma 5ª etapa bem complicada, já que furei, depois persegui bastante, acabei caindo e machuquei, e fui para a prova de contrarrelógio com dor, a mão inchada e com pontos, e ainda assim consegui ganhar. Fiquei surpreso com o resultado”, conta o ciclista de 31 anos em entrevista ao Bikemagazine.

Ciclista da Funvic terminou com mais de 2 min de vantagem
Magno terminou a Volta do Uruguai com vantagem de 2min36s na classificação geral. Detalhe: o vice foi seu colega de equipe Murilo Affonso e, na 3ª colocação, estava outro ciclista da Funvic, o atual campeão brasileiro Flávio Cardoso, a 3min43s. Vale destacar que esta foi a primeira vez em suas 74 edições que três ciclistas da mesma equipe ficaram no Top 3 da Volta do Uruguai. Além disso, a Funvic, que venceu a prova de contrarrelógio por equipes, também faturou a classificação por equipes.
Magno comemora os bons resultados da Funvic, que passou por um período turbulento após casos de doping, suspensão e debandada de patrocinadores. “Não foi fácil para mim, não foi fácil para nenhum de nós, chegamos a achar que a equipe ia acabar, mas estamos superando. E quem errou está pagando”, diz Magno, que contou ter feito seis exames anti-doping nos dez dias da Volta do Uruguai.
Antes do Uruguai, o ciclista esteve no prestigiado pelotão da Volta da Catalunha, em março, na Espanha, no retorno da Funvic às provas internacionais. “Foi gratificante, uma satisfação imensa estar na competição, com todas as equipes World Tour, a ‘champion’s league’ do ciclismo”, afirma. Nesta edição, além do campeão Alejandro Valverde (Movistar), a prova na Catalunha contou com nomes como Alberto Contador (Trek-Segrafredo) e Chris Froome (Sky).
“Estamos com uma equipe renovada, que passou por mudanças e recebeu novos talentos. É motivação para seguir trabalhando”, continua Magno, “O projeto não pode parar”, completa o ciclista que, em 2016, o primeiro da Funvic na categoria Pro Continental, disputou provas no Gabão, Espanha, Itália, Portugal e Turquia.
Magno, bicampeão brasileiro de contrarrelógio na Elite, conta que começou a pedalar aos 15 anos. Natural de Dourados (MS), onde viveu até os 16 anos, estreou no ciclismo profissional em 2004, quando passou a integrar a equipe de São Caetano. Um ano depois foi para a extinta equipe Scott e, quando o time acabou, no início da temporada de 2010, assinou com a Funvic, na época Pindamonhangaba.
Foi na cidade que Magno Nazaret escolheu viver e, há 12 anos, divide a paixão pelo ciclismo com a esposa, a também ciclista Luciene Ferreira, que depois de uma temporada na Argentina, está de volta à Funvic. “Gostei de Pinda, é um lugar tranquilo e bom para treinar e fazer as preparações para as competições”, conta. Por ser especialista em contrarrelógio, Magno segue uma planilha de treinamentos específicos além de rodar com os colegas da equipe, cujo QG também fica na cidade. “Saímos todos os dias juntos”, completa.

Pódio da Volta do Uruguai 2017, com inédito Top 3 para a Funvic
Esta foi a quarta vez que o ciclista disputou a Volta do Uruguai. “A primeira foi em 2009 e fui o quarto colocado, em 2010 abandonei e depois vieram as vitórias de 2012 e a de agora”, relata. Para Magno, a prova de contrarrelógio por equipes é crucial para um bom resultado, mas “quem manda é o vento”.
“Gosto de correr a Volta do Uruguai, mas há etapas em que a gente aquece no rolo antes de largar porque a prova já começa à toda. Se tiver vento cruzado, a equipe tem que ficar na frente o tempo inteiro para evitar o corte do pelotão”, relata. Durante a prova o mau tempo também é um desafio. “Nesta edição tivemos chuva e vento em cinco etapas. Normal, é a Volta do Uruguai”, completa.
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