
Atilio Fetter, ciclista de 21 anos que tem se destacado no pelotão
Dani Prandi / Do Bikemagazine
Fotos de divulgação e arquivo pessoal
Atílio Fetter traz aquela sensação de novidade bem-vinda e tem chamado atenção no pelotão. O ciclista de 21 anos, que nasceu em Cuiabá (MS) mas vive em Caxias do Sul (RS) desde os 2 anos de idade, está em sua terceira temporada no ciclismo nacional e acumula experiência, ataques bem-sucedidos, fugas fortes, superação e boas colocações na Sub 23 em provas no Brasil e na América do Sul.
Em entrevista ao Bikemagazine, o “guri” que encerrou a Volta de Mendoza, na Argentina, como vice-campeão Sub 23, falou sobre sua trajetória.

Atilio Fetter na Volta de Mendoza, na Argentina, quando foi o vice-campeão Sub 23
Fetter, que tem 1,86m de altura e pesa 72 quilos, sempre gostou de esportes e jogava basquete quando descobriu a bike. “Um dia comecei a ir de bicicleta para o colégio e um amigo, que ia com o pai fazer trilhas, me chamou. Gostei, mas minha bike não aguentava, estourava tudo, e pedi uma para meu pai”, conta o ciclista. “Treinava na bicicleta ergométrica da minha mãe, duas horas, três vezes por semana, e ia para as trilhas no final de semana. Sofria muito, mas gostava”, continua.
Tanta dedicação rendeu sua primeira vitória em uma corrida de MTB. “Olha isso aqui, que show, eu me senti muito bem, pensei. Por indicação de um amigo comprei uma speed para treinar, usada, e então me chamaram para entrar em uma equipe amadora, a Foccus Assessoria em Cobrança. O começou foi péssimo, fui para Volta do Rio Grande do Sul de 2015 e caí, cortei o braço, só completei. Depois veio a Volta do Paraná e estava me sentindo melhor, consegui ser o 3º da Sub 23”, lembra Fetter, que ainda não conhecia muito do esporte e acabou se empolgando demais nos treinos. Teve overtraining e perdeu o Campeonato Brasileiro. Nisso, a equipe acabou.
O ciclista e treinador Vanderlei Melchior, que atuou no profissional por dez anos, já tinha visto Fetter nas provas e o convidou para integrar a equipe Apuana. “Foi ele que me ensinou a treinar, correr com o pelotão, sobre vento cruzado…” As primeiras corridas fora do Brasil foram no Uruguai, difíceis, mas parecia que a hora tinha chegado. Até que um problema de saúde na família o afastou do ciclismo mais uma vez. “Fiquei entre estudos e hospital por uns três ou quatro meses e então aos poucos fui voltando a treinar. O Vanderlei me colocou de volta na equipe. Tinha ido no Rutas de America 2016 e esperávamos ir de novo em 2017. Eu me preparei para a competição, mas a Apuana não foi convidada”, continua.

Como a camisa de mais combativo na Volta de Guarulhos
A catarinense Avaí estava na lista da prova no Uruguai e precisava completar a equipe. Fetter foi o escolhido e estreou, assim, no profissional. Depois, veio a Volta de Guarulhos 2017, agora como integrante da Seleção de Santa Catarina. “Logo na primeira etapa tomei muito tempo por causa da falta de sinalização. Estava a 10 km da chegada mas passamos reto e até conseguirmos voltar perdemos uma hora”, lembra. Sem desanimar, apertou o ritmo nos dias seguintes. “Subi na frente, era uma subida dura, no terceiro dia, e na quarta etapa, fiquei na frente escapado com o Rodrigão (Rodrigo do Nascimento), da equipe de Ribeirão Preto”, continua o ciclista, que levou o prêmio de mais combativo.
Foi aí que o técnico de Ribeirão, Marcelo Donnabella, prestou mais atenção no novato. “Ele veio conversar comigo e logo depois aceitei a proposta para entrar na equipe. Ganhei a Volta de Brusque na Elite, trabalhei muito para a equipe na Volta do ABCD, senti que estava melhorando”, continua.
Mas outro revés o esperava. Durante um treino pelas estradas de sua região, Fetter teve um acidente com um trator. “Estava numa descida e um trator vinha no sentido contrário. O tratorista resolveu virar à esquerda dele e cruzou bem na minha frente. Bati no trator e depois atingi o tratorista. Quebrei o maxilar, o tratorista também se machucou”, relata.

Com a equipe de Ribeirão Preto, que representou o Brasil em San Juan
Mais algum tempo fora dos treinos e das competição até que, no final do ano passado, Donnabella disse para ele se preparar para a Volta de San Juan, em janeiro, na Argentina, quando a equipe de Ribeirão Preto iria representar a Seleção do Brasil. “Foi minha primeira vez com a camisa da seleção, treinei muito, estava focado, mas a prova não começou bem para mim e as coisas não melhoraram. Éramos em mais de 50 ciclistas da Sub23”, conta.
Um mês depois, a história foi outra, também na Argentina. “Na Volta de Mendoza estava bem melhor, apesar de ter começado mal na primeira etapa. No segundo dia saltei na fuga, rendeu e chegamos a abrir 4min05s, que foi quando assumi a camisa de líder da Sub 23. Mas, depois, vieram outros dias duríssimos, veio a altitude, e começou a faltar força”, relata o ciclista, que terminou vice-campeão da categoria Sub-23 e foi o melhor brasileiro na classificação geral, na 16ª colocação.
O próximo compromisso de Fetter também será em terras sul-americanas. O ciclista estará, com a equipe de Ribeirão, na Volta do Uruguai, de 23 de março a 1º de abril. Para a temporada, sonha em voltar a vestir a camisa de seleção e com o Campeonato Brasileiro, principalmente na disputa do título nacional de contrarrelógio. No ano passado foi o 4º lugar. E, no futuro, espera “correr na Europa, no Mundial, nas Olimpíadas…”



