
A Madone SLR 6 Disc foi a estrela do lançamento em Itu
Do Bikemagazine
Texto e fotos: Marcos Adami e Gabriel Vargas
O Bikemagazine conferiu o evento nacional de lançamento da Trek realizado na segunda-feira, 13 de agosto, em Itu, no interior paulista. A marca, que nasceu em 1976 em um celeiro em Waterloo, no estado norte-americano de Wisconsin, opera no Brasil desde 2013.
A empresa segue um modelo de negócios conservador e, comprovadamente, de muito sucesso: pertence a um só dono – John Burke – e não tem ações na bolsa. No Brasil, a Trek comercializa mais de 100 modelos de bicicletas e também equipamentos, acessórios e vestuário da Bontrager, uma das muitas marcas sob o chapéu da Trek.
Ao longo da semana o hotel vai receber lojistas de todo o Brasil que, além de conhecerem os lançamentos, participam de treinamentos e workshop de negócios. “Conversamos muito com os lojistas e damos dicas importantes de gestão de loja, faturamento, controle de estoque, dicas de marketing, relacionamento com o cliente e até como aparecer bem na busca do Google”, disse Felipe Praça, o presidente da operação da Trek no Brasil.
Em Itu, a mídia especializada foi a primeira a conhecer a linha 2019 e a grande estrela entre as road bikes foi, sem dúvida, a nova Madone. Entre as mountain bikes, a e-MTB Powerfly FS 7 Plus teve fila de espera no Nore Bike Park e não decepcionou nas trilhas.
Depois da apresentação das novidades, rodamos um pouco com diversos modelos da linha 2019 (e alguns modelos 2018 que testamos por engano, já que as bikes antigas não estavam identificadas). Todas as road bikes estavam equipadas com freios a disco.
Confira alguns destaques:
ROAD BIKES

Detalhe dos freios a disco e da traseira com o sistema IsoSpeed na junção do seat tube com seatstays
Madone SLR 6 Disc: a estradeira com características aerodinâmicas avançadas recebeu duas grandes novidades. Agora, a nova Madone SLR também será oferecida com freios a disco (os freios convencionais continuam no catálogo) além de apresentar o novo sistema IsoSpeed.
A bike manteve seu design geral, e o quadro de carbono OCLV 700 pesa 1.131 gramas e o garfo, 421g (contra 1.112g e 378g para o modelo com freio no aro). O modelo SLR 6 Disc testado vem com o grupo Shimano Ultegra R8000 e rodas Bontrager Aeolus Comp. Segundo a Trek, a Madone SLR 6 a disco no tamanho 56 pesa 8,38 kg (7,65 kg para a versão superior com Dura-Ace) e 7,1 kg para a versão sem disco. Não são números impressionantes, mas há muita tecnologia embarcada neste quadro.
A tecnologia IsoSpeed é uma interessante solução de engenharia: o segmento do tubo que recebe o canote de selim é separado do quadro e possui uma lâmina de carbono a 90 graus, formando algo parecido com um bumerangue. Essa lâmina fica posicionada sob o tubo superior do quadro, agindo efetivamente como uma mola. O ponto de contato dessa lâmina com o quadro é um pequeno calço de borracha que pode ser deslizado para frente ou para trás, permitindo um ajuste do nível de conforto desejado. Na prática, o sistema funcionou muito bem e a diferença foi sensível entre a regulagem “mais dura” e “mais macia”.

O cockpit aerodinâmico permite ajuste do ângulo da mesa
Todo o sistema IsoSpeed fica apoiado em um pequeno pivô, permitindo ao canote e ao selim uma margem ajustável de movimento. Assim, a flexão da lâmina de carbono ajuda a Madone SLR a ser uma bike confortável, mesmo com os tubos de profundo perfil aerodinâmico. Durante o teste, não percebemos nenhuma sensação de flexibilidade indesejável, apenas uma ligeira sensação de maciez, como seria esperado.
A Trek acertou enormemente ao manter intocados os ângulos da Madone em relação ao modelo anterior. Ela faz curvas com grande precisão e agilidade com uma condução impecável. Não há mais as opções H1 e H2 de geometria – agora a Madone é oferecida apenas na versão H1.5, permitindo uma posição mais agressiva com uma mesa -17°, ou uma posição mais ereta com a mesa -7°. Outra boa novidade é o novo sistema de mesa e guidão, que mantém o visual integrado e limpo, mas não são mais formados por uma peça única. Isso dá mais liberdade de ajuste com a possibilidade de substituir mesa e guidão independentemente.
A Madone SLR 6 lidou muito bem com o forte vento lateral que havia durante o teste, o que causou muito boa impressão e é prova do cuidado com o desenvolvimento aerodinâmico refinado do modelo.

A Domane SLR 5 com grupo Shimano 105 R7000, pneus 32, freios a disco e 9,39kg
Domane SL 5 Disc: Sem grandes novidades para 2019, a Domane prossegue com seu conforto exemplar, pilotagem gentil e o sistema IsoSpeed tanto no canote do selim quanto na área da caixa de direção. A Domane SL 5 tem quadro de carbono OCLV 500 e vem com o novo grupo Shimano 105 R7000 com freios a discos hidráulicos, calçada com pneus de 32mm de largura.
Embora não seja superagressiva, foi surpreendente como a bike reage bem ao esforço e tem facilidade em manter o ritmo. Obviamente, não é uma bike de competição, mas isso não significa que a Domane seja lenta ou arrastada, pelo contrário. O peso informado para a SL 5 é de 9,39kg para o tamanho 56.
Checkpoint SL 5: Se a Madone foi a que mais impressionou, a Checkpoint foi a que mais agradou. A gravel com quadro de carbono OCLV 500, lançada internacionalmente em março, é uma bike confortável, gostosa de pilotar, com um equilíbrio interessante entre agilidade e estabilidade. A bike é leve (9,6kg), com quadro de 1.240 gramas e garfo de 470 gramas, bons números para o segmento gravel. A bike chega ao Brasil com o preço de R$ 20.499,00. O modelo com quadro de alumínio Checkpoint ALR também está disponível no Brasil por R$ 10.499,00.

A gravel Checkpoint, lançada em março, foi das que mais agradaram
O modelo ainda vem o grupo antigo Shimano 105 5800, com STIs dos freios a disco hidráulicos que deixam a desejar no quesito ergonomia. Os pneus são Schwalbe 700x35c (curiosamente, o modelo testado estava montado com pneus Kenda), e aceitam pneus de até 45mm de largura.

Detalhe da traseira com gancheira deslizante com 15mm de ajuste
O quadro também vem com o desacoplador IsoSpeed, mas sem possibilidades de ajustes. Em contrapartida, as gancheiras traseiras são deslizantes e permitem 15mm de ajuste, dando ao ciclista a opção de ter uma bike mais arisca ou mais estável, encurtando ou alongando o entre-eixos. O sistema também viabiliza configurações singlespeed (monomarcha).
A Checkpoint tem um bom compromisso com a versatilidade graças a uma variedade de furações para bagageiros, paralamas, e outros acessórios, inclusive furação para um terceiro suporte de caramanhola sob o tubo inferior, um detalhe muito interessante. Apenas lamentamos o conservadorismo na escolha dos pneus, já que algo ao redor dos 42mm tornariam a bike mais apta às estradas de terra brasileiras.
Émonda ALR 5: Uma das bikes mais faladas da linha de estrada da Trek, a nova Émonda ALR ficou mais leve e seu quadro recebeu um acabamento muito refinado, com tubos hidroformados e soldados com a nova tecnologia Invisible Weld Technology, semelhante ao processo Smartweld criado por Chris D’Aluisio e apresentado pela Specialized há alguns anos. O modelo está disponível no Brasil apenas na versão ALR 5, com freios no aro e grupo Shimano 105 R7000.
Esperamos uma boa disputa nessa faixa de preço, que conta com concorrentes como Cannondale CAAD12, Specialized Allez Sprint e BMC ALR01, além das bikes de carbono das marcas nacionais.
MOUNTAIN BIKES
Top Fuel 9.8 SL: a full-suspension para XC veio renovada para 2019 com algumas modificações. A suspensão dianteira Fox Performance 32 Float do modelo 2018 dá lugar ao garfo RockShox SID RL, enquanto o amortecedor traseiro curiosamente perde o selo RE:Aktiv, mas prossegue sendo um modelo FOX Performance DPS.

A full suspension Top Fuel 9.8 SL com 130mm de curso
Os aros das rodas de carbono Bontrager Kovee Elite estão mais largos e os freios SRAM TLM deram lugar aos consagrados Shimano XT. Estas mesmas mudanças também foram encontradas na hardtail Procaliber 9.8 SL 2019, que possui a mesma configuração e que também testamos brevemente.
Powerfly FS 7 Plus: a grandalhona e-MTB foi a novidade da Trek que mais atraiu os jornalistas durante os testes na trilha. É uma 27.5+ com quadro de alumínio, 130mm de curso tanto na dianteira quanto na traseira e um motor Bosch Performance CX. O garfo é RockShox Revelation RL e o amortecedor, um RockShox Deluxe RL. A bike está equipada com grupo misto de peças Shimano SLX e XT.

A elétrica Power Fly FS 7 Plus, com pneus usa motorização Bosch Performance CX
O destaque da bike é o novo sistema de remoção da bateria (Removable Integrated Battery, ou RIB), que agora é retirada pelo lado direito do quadro. Basta girar a chave, destravar um botão e remover a bateria, que pode ser transportada por uma alça. Na demonstração, a coisa não foi tão simples assim e o próprio presidente da empresa foi traído pela bateria, que teimava em não sair.
Marlin
A linha de entrada no mountain bike foi totalmente redesenhada e agora tem o mesmo look e geometria da X-Caliber. Além do visual, a Marlin ganhou cabos embutidos, traseira mais curta, freios a disco Post Mount, guidão mais largo, novo selim, canote de maior diâmetro, manoplas ergonômicas e manetes de freios menores para as bikes de menor tamanho. A linha oferece três versões femininas com o top tube rebaixado.
Até a publicação da reportagem a Trek não forneceu os preços ao consumidor da maioria dos modelos.



