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Texto e fotos de Marcelo Afornali

Depois de haver importado o quadro e garfo da Alemanha, em julho de 2006, a bike ficou parada aguardando a vez para o início da restauração.

Meu pai Danilo acabou gostando da “bicicletinha” e iniciei o projeto com o intuito de presenteá-lo com algo fora do comum, raro e de larga beleza.

Primeiramente foi necessário um trabalho de pesquisa para descobrir exatamente qual bicicleta estávamos pretendendo restaurar, já que o modelo era, até então, desconhecido por aqui e ainda mais: eu havia comprado de um amigo alemão somente o quadro e o garfo, imaginando que tratava-se de uma bicicleta de corrida. Só depois percebi que tratava-se de uma bike aro 26 demi-ballon, e não uma puro sangue de competição.

Depois de alguma pesquisa (seis meses), descobrimos que tratava-se de uma Wanderer modelo Rahmensport, ou seja, uma bicicleta com cara de corrida, mas que era realmente passeio. Tinha freio contrapedal e todas as características de uma verdadeira bike alemã.

Com algumas fotos na mão e um catálogo de ano da fábrica, consegui detectar o ano exato da bicicleta (1938) e como realmente ela era em sua originalidade.

O guidão, por exemplo, eu tive a sorte de encontrar em meu pequeno estoque, coincidentemente o original da marca, bem como os cubos dianteiro e traseiro. O dianteiro trazia a gravação do fabricante.

Já o selim (um Lepper-Super), foi escolhido a dedo e comprado diretamente de um outro contato alemão, praticamente zero e sem uso. O selim recebeu apenas tinta sobre o couro, para embelezar o conjunto final.

Chegou então o momento de começar a bicicleta, já com as devidas informações e com a maioria das peças na mão.

A cor Bordeaux foi removida até que surgiram vestígios de “Verde Água”, dando então motivação ao projeto. Toda a lataria foi feita de acordo com o modelo original, sendo que os pára-lamas vieram de seu país de origem, novos e completamente sem uso.

Uma vez montada para ajustes, a bicicleta começou a receber os acessórios do período e a escolha foi por peças da época do Pré-Guerra, sempre dando um ar realista ao veículo.

Justamente por isto, por tratar-se de bicicleta passeio e não competição, recebeu elétrica (farol/dínamo) da marca Hella, nova e sem uso, também da década de 30, e a lanterna traseira também elétrica, da marca Lohmann.

Já os pedais, foram utilizados os da marca Union, de fabricação entre osanos 1940/45, pois eram de reposição e serviam perfeitamente ao propósito.

Após a filetagem e verniz, posso dizer que a bicicleta ficou linda, realmente uma obra de arte, sendo que iniciei a montagem com muito cuidado para não riscar nenhuma parte pintada.

Tudo se encaixou perfeitamente e, por fim, pude visualizar o conjunto montado.

A bicicleta nas cores originais preto e verde proporciona um contraste belíssimo, que acaba por destacar os detalhes devido ao contraste das cores.

O andar da Wanderer é relativamente macio e o selim é muito confortável, apesar de esquisito. Mesmo sendo um quadro esporte, pode-se dizer que a bicicleta é muito confortável.

Por fim, no dia 09 de março de 2008, eu e meu pai, o Sr. Danilo Afornari, de 72 anos, fomos estrear a magrelinha no Encontro de Antiguidades Mecânicas no Largo da Ordem, em Curitiba (PR) e, pasmem, ele rodou pouco mais de 20 km entre subidas e descidas numa boa com sua Wanderer Rahmensport, mostrando que apesar da idade (os dois, máquina e homem), ainda estão em plena forma.

FICHA TÉCNICA

Marca: Wanderer
Modelo: Rahmensport (Esporte – Passeio) aro 26 X 1.3/4
Ano: 1938
Origem: Alemanha
Proprietário: Danilo Julio Afornali – Curitiba, PR
Acessórios: Guidão estilo competição em aço cromado, cubo traseiro do tipo contrapedal Águia 37 (F&S) e dianteiro Wanderer, lanterna traseira Lohmann, Farol e dínamo Hella, porcas especiais de roda para saque rápido, pedais Union (Kriegspedal) e selim Lepper.