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Guilherme Cavallari vai pedalar de maneira autossuficiente na Mongólia

Do Bikemagazine
Texto de Marcos Adami
Fotos do arquivo pessoal de Guilherme Cavallari

O aventureiro e escritor Guilherme Cavallari está pronto para mais uma longa jornada. Desta vez o cenário escolhido pelo paulista de 57 anos é a Mongólia. Cavallari, que entre tantas aventuras já cruzou a Patagônia sozinho e percorreu a trilha Cape Wrath, na Escócia, agora vai fazer um super bikepacking e pedalar de maneira autossuficiente num dos ambientes mais inóspitos do planeta.

De julho até outubro deste ano serão cerca de 3 mil quilômetros pelo interior e desertos do 18º maior país do mundo – do tamanho do Estado do Amazonas – e com uma população de apenas 3,2 milhões de pessoas. Por conta da legislação daquele País, o brasileiro terá apenas 90 dias para permanecer na Mongólia e concluir a viagem, que inclui a travessia de toda a extensão longitudinal do Deserto de Gobi, feito inédito para um ciclista solo e autossuficiente. Cavallari deve também fazer um trekking de cerca de 200km às margens do grande Lago Khovsgol, até a fronteira com a Rússia.

Cavallari vai pedalar 3.000 km e cruzar a parte Sul do país até a fronteira com a Rússia

“O objetivo dessa expedição é conhecer a cultura local e conviver com a população nômade. Vou pedalar de oeste para leste porque essa é direção do vento predominante. Vou cruzar partes do Deserto de Gobi, das estepes e vencer grandes formações montanhosas. Vou depender da população nômade para meu reabastecimento e para obter informações sobre o caminho, já que na parte do país onde pretendo pedalar existem poucas cidades e vilas. Vou tentar evitar o pouco asfalto que há no país. O terreno que vou enfrentar será rude, acidentado, muito esporadicamente utilizado por raros veículos 4×4, que antigamente era percorrido a cavalo ou por caravanas de camelos”, conta.

Autor de 17 livros, incluindo guias de trilhas para cicloturismo, trekking e mountain bike, Cavallari vai contar a experiência da cicloviagem à Mongólia em um livro e deverá produzir um filme documentário, como fez com viagens anteriores à Patagônia e às Highlands escocesas.

EQUIPAMENTO

A bike pronta para viagem ao estilo backpacking

Cavallari optou por uma Scott modelo Scale 710 Plus, uma hardtail de alumínio com rodas aro 27,5 calçadas com pneus largos de 3.25 polegadas. A bike recebeu um upgrade para o grupo Shimano XT de 11 velocidades, com coroa de 30 dentes e cassete 11×50.

O ciclista optou por trocar a suspensão por um garfo rígido Niner RDO de 630 gramas, cubo dianteiro com dínamo Schmidt Son 28 para alimentar as luzes, os aros foram trocados por outros mais resistentes, da marca DT Swiss, modelo XM551, e os raios são também DT Swiss, de 2mm de espessura, para downhill. A bike de 12,5kg recebeu uma gama de acessórios e equipamentos de camping completam a bagagem para encarar a aventura. A lista completa pode ser conferida no link www.kalapalo.com.br/checklist-mongolia-bikepacking.

PREPARAÇÃO CAUTELOSA
Sem dúvida, um aventura deste porte começa muito antes da partida. Além da preparação física e psicológica, Cavallari fez uma vasta pesquisa sobre a Mongólia, com leitura de livros sobre a história e costumes do País, bem como o estudo de mapas e do roteiro a ser percorrido. A preparação incluiu o estudo do idioma russo, língua importante na Ásia Central, zona de grande influência da antiga União Soviética.

“Uma das lições mais pungentes que a aventura nos ensina é a necessidade de sermos flexíveis. É preciso preparar-se para os desafios levando em conta as mais improváveis possibilidades, manter o corpo forte e a mente alerta, mas o imprevisto é uma ameaça sempre presente e quando ele aparece, quem não se adapta fica pelo caminho”, afirma Cavallari.

A boa preparação é fundamental para o sucesso de toda viagem

E é justamente esta preocupação em “não ficar pelo caminho” que deve pautar aventureiros – que como Cavallari – decidem em trilhar os caminhos menos óbvios e mais difíceis.

A exemplo do montanhista Manoel Morgado, que chegou ao cume do Everest em 17 de maio de 2010, aos 53 anos, e Ayesha Zangaro, que atingiu o ponto mais alto daquela montanha em 20 de maio de 2018, aos 23 anos, e se tornou a mais jovem brasileira a conseguir este feito incrível, aventuras desta magnitude devem ser planejadas com extrema cautela e atenção aos detalhes. Morgado e Zangaro fazem parte do time de especialistas do Cassino Online Betway e produziram um interessante infográfico sobre os riscos da conquista do Monte Everest. Vale a pena conferir!

Cavallari começa sua pedalada em Ulan Bator, a capital da Mongólia na primeira semana de Julho, depois de ter viajado a Pequim, na China, via Dubai, nos Emirados Árabes. A previsão é concluir a viagem até o mês de outubro.

A viagem de Cavallari pode ser acompanhada em tempo real aqui